Contudo, em 2025, outro relatório, dessa vez da Thales, concluiu que 42% dos brasileiros ainda não conhecem as políticas de segurança cibernética de suas empresas.
Diante desse cenário, a desinformação continua sendo um obstáculo à segurança, aumentando os riscos de ataque e a exposição de dados sensíveis. Portanto, a quais medidas sua organização precisa aderir para garantir ou fortalecer o controle?
Neste conteúdo, vamos abordar as medidas necessárias para fortalecer as políticas de segurança cibernética da sua empresa. Boa leitura!
Cenário de segurança digital no Brasil
Embora o Brasil lidere o mercado de cibersegurança na América Latina, ainda enfrenta um cenário crítico de vulnerabilidades e figura entre os países que mais registram tentativas de ataque cibernético.
Segundo dados de 2025 atribuídos ao FortiGuard Labs, da Fortinet, o Brasil se consolidou como o epicentro das ciberameaças, concentrando 84% das tentativas de ataque e ultrapassando um custo médio por violação de R$ 7 milhões.
Além disso, o país registrou aproximadamente 753,8 bilhões de tentativas de ataque cibernético, o equivalente a uma média de 1,4 milhões por minuto.
No ecossistema corporativo, o campo de batalha evoluiu. O cenário atual é marcado pela hiper-digitalização e pela democratização da IA.
Nesse cenário, a maturidade exige uma mudança de foco do perímetro físico para a identidade e contexto. Entretanto, um erro comum é criar pilhas tecnológicas em que os sistemas não se comunicam entre si.
O que deveria resultar em segurança acaba se traduzindo em ineficiência com a fragmentação dos ambientes distribuídos, criando pontos cegos, exposições e permissões de acesso excessivas.
A resiliência estratégica nasce da orquestração dos ativos para garantir que cada acesso seja contextualizado e que cada anomalia seja contida em tempo real. Investir em segurança sem integração é apenas atualizar o inventário de problemas futuros.
Portanto, nos próximos anos, a segurança deve ser vista como uma responsabilidade compartilhada, e não como um fardo exclusivo do CISO.
Entenda os objetivos da política de segurança cibernética
Ela exige, principalmente, que as instituições desenvolvam, implementem e mantenham uma política de segurança cibernética abrangente.
Sobretudo, baseada em princípios e diretrizes que visam garantir a confidencialidade, a integridade e a disponibilidade dos dados e dos sistemas de informação utilizados.
A política de segurança cibernética deve abranger os seguintes objetivos:
- Contemplar a capacidade de prevenir e detectar incidentes cibernéticos para reduzir as vulnerabilidades;
- Procedimentos e controles, incluindo autenticação, criptografia, prevenção e deteção de intrusão, proteção de dados e realização periódica de testes e varreduras para detecção de vulnerabilidades;
- Proteção contra software malicioso, controles de acesso, redes de computadores segmentadas e manutenção de cópias de segurança dos dados e das informações;
- Programas de treinamentos contínuos a respeito da política de segurança cibernética para colaboradores e prestadores de serviços;
- Compromisso com a alta administração para melhoria contínua dos procedimentos relacionados à segurança cibernética;
- Diretrizes para a classificação de dados e o compartilhamento de informações com outras instituições.
Controles de segurança para fortalecer a resiliência cibernética
Diante da evolução das ameaças cibernéticas, as organizações precisam proteger seus sistemas, redes e dados contra diversos vetores de ataque.
Vulnerabilidades tecnológicas, configurações inadequadas, credenciais comprometidas e técnicas de engenharia social podem ampliar a exposição a incidentes de segurança.
Nesse cenário, uma estratégia de segurança cibernética deve combinar políticas, processos e controles tecnológicos para reduzir a exposição a ameaças, proteger informações críticas e apoiar o atendimento aos requisitos regulatórios aplicáveis.
Para fortalecer a resiliência cibernética, as organizações podem adotar controles complementares que atuam na prevenção, detecção, resposta e recuperação de incidentes, incluindo:
- Gestão de identidade e acesso (IAM/PAM/SSO): controle de acesso aos recursos corporativos, gerenciamento de privilégios e autenticação centralizada.
- Criptografia de dados: proteção da confidencialidade das informações em repouso e em trânsito.
- Proteção de dados e recuperação de desastres: estratégias de backup, recuperação e restauração de sistemas e informações críticas.
- Detecção e resposta a ameaças (CTI/SIEM/SOAR): inteligência de ameaças, monitoramento e correlação de eventos de segurança, além da automação e orquestração de respostas.
A segurança cibernética não se limita à implementação de controles tecnológicos, mas exige uma postura de adaptação contínua diante da evolução das ameaças e da complexidade dos ambientes corporativos.
Nesse cenário, a capacidade de uma organização de enfrentar incidentes depende da combinação entre controles eficazes, agilidade de resposta, governança integrada e estratégias de recuperação.
Mais do que proteger sistemas e dados, fortalecer a resiliência cibernética significa preservar a continuidade operacional, reduzir os impactos de incidentes e sustentar a competitividade dos negócios.